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sábado, 20 de setembro de 2014

Gouinage ( sexo com conotações políticas)



Os Gouines ganharam repercussão mundial matéria da revista francesa Pref Mag publicada no ano passado sobre a tendência do sexo gay no país. O Gouinage (pronuncia-se Gu-ináge) é uma prática de sexo gay sem penetração, onde se prioriza o sexo oral e tátil, ou seja, nessa prática sexual,que talvez eu possa chamar de um estilo de vida sexual, não existe a penetração. O Gouinage é muito parecido com a relação sexual lésbica onde não se tem penetração de objetos, plugs ou dedos.


Recentemente um grupo de babacas americanos adotaram as definições do termo de maneira deturpada, chamaram-na de G0ys, uma versão pública de homossexuais enrustidos, que dizem não ser gays por não praticarem penetração. 





Voltando ao assunto, os adeptos do Gouinage, expõe, fora o desinteresse pela penetração, outras duas razões principais para a escolha dessa vida sexual alternativa. Uma das questões é que se dá às preliminares o papel principal na relação sexual, valoriza-se o toque, os odores, as carícias e a paciência na relação sexua, o que de maneira geral, torna o sexo uma experiência muito mais intensa e sensitiva; isso se deve ao fato da expedição ao longo do corpo e novas formas de prazer, localizadas não só nas genitálias, mas também em todos os membros que possam ser meio de prazer sexual. Esse ponto para mim, mostra uma revolução sexual, onde se respeita e se valoriza o corpo do outro, além de romantizar a relação sexual, que necessita de um certo entendimento do corpo do outro. O segundo ponto é talvez muito mais engajado que o primeiro, se trata da horizontalização das partes envolvidas no ato, ou seja, essa relação não pressupõe posições de poder e submissão, não se explicita quem são os ativos ou os passivos, isso pois, essas rotulações não existem. Isso significa ao meu ver, uma relação que não reproduz padrões heteronormativos, ou seja, não se copia o modelo padrão dos heterossexuais, essa posição meio que combate a reprodução de certos clichês sexuais.


Não que eu não goste da penetração, mas o Gouinage apresenta uma série de motivos de ser, que possibilitam novos parâmetros, não só sexuais, mas políticos, que torna a relação (neste caso isolado) menos repressiva, mais empática e diversa, isso se deve ao fato de além de responder aos estímulos do outro,não se cai nos clichês das posições sexuais doutrinadas pela indústria pornográfica, o que leva os Gouines a descobrirem novos meios de obter prazer.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O que é que tem de mais?

Sexo e moral, são como água e olho, ingredientes usados no feijão com arroz. Para mim tudo que eu desempenho com intuito sexual é sexo, sendo assim nunca fiz do meu sexo uma equação do bem e do mal, pois, não vejo como uma necessidade avaliar, quantificar ou racionalizar minhas práticas sexuais enquanto são executadas, em verdade, acredito que ninguém pense em valores segundos antes de gozar.
Legislar o sexo, atribuindo valores à ele, fazendo uma lista de regras, leis e condutas a serem respeitadas é algo inconcebível à minha libido; isso pois, a libido não respeita nem mesmo o que eu determinei para mim como "correto", por vezes encontro a mim mesmo reprimindo-me, ao não atuar sobre o meu sexo com total entrega, eu deveria me guiar pelos instintos. É quando racionalizo essa auto-repressão que me pergunto de quê me vale tal esforço? Por qual motivo eu deveria medir meu desejo ( e meu ato) pelas especulações que precedem minha sexualidade? Por que sou gay, sem tendências ao romance, sem tendência à monogamia, sem tendência à família? A resposta talvez seja: Por qual motivo não ser? Por que não transgredir?


Joel-Peter Witkin "Le Baisier", 1982

Foi uma cruel batalha, abdicar da moral judaico-cristã, digo isso pois, essa moral repressora à minha condição, precede minha existência, o que implica em abrir mão do bem, logo, optar pelo mal (se é que existem mesmo esses polos na sexualidade). Durante minha infância fui guiado por palavras de valor moral, essas por sua vez só me fizeram criar pulsão transgressora, desejei a cada dia subverter meus pais, subverter aquelas regras chatas, a vida sexual monótona que eles me apresentavam, não suportava ser contido em minhas falas e meus gestos para ser um "homem correto". Sempre foi motivo de asco o incentivo familiar à objetificar as meninas afim de reafirmar minha masculinidade, reprimir, oprimir e objetificar mulheres, almejar constituir uma família e repassar os esses mórbidos "desvalores". Essas condutas que me foram delegadas afim de me tornar um bom homem teriam me tornado um alienado, sexista, machista, caso eu me inclinasse à elas, por isso talvez eu tenha me entregue à uma certa conduta transgressora à qual me engajo, e hoje tomo como meu princípio ético, não reprimir-me e responsabilizar-me por todo e qualquer ato que eu empreenda.
Transgredir à moral, pelo menos com relação ao sexo é por tanto combater as imposições da beatitude forjada que nos é culturalmente introjetada. Eu dou preferência à transparência de meus atos, não que eu seja exibicionista- não que eu não venha a ser- não  que eu faça com o intuito de expor, mas para mim o lançar-me como um espirito transgressor é um exercício de combate à repressão sexual. Não pretendo aqui fazer apologia à promiscuidade ( ou talvez eu queira), mas sim, por em pauta o questionamento do " o que é que tem de mais" .
O que é que tem de mais, me esfregar, me tocar, sentir o outro, lubrificar, deliciar-se, lambuzar-se, dar o cu? Fazer sexo fora do período fértil, chupar pinto, lamber xota, linguar cu, receber dedo, dar dedo, pedir dedo, pedir com dedo na boca, gemer, gritar, pedir mais? Ser mais sexual, o que é que tem de mais?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Tire seus padrões da minha foda. (introdução)


Nós enquanto indivíduos sociais, vivemos em um constante processo de absorção de valores e julgamentos morais, não de maneira voluntária, e sim de maneira inconsciente. A máquina de poder que exerce influência constante e incessante sobre nossos corpos, sobre nossa vida, age nem sempre às claras, por vezes se disfarça de subversivo afim de nos tornar mais suscetíveis à tais influências.
Torna-se necessário refletir sobre a maneira como podemos nos conduzir, não afim de se tornar alguém virtuoso, mas sim ceder aos vícios que a moral judaico-cristã aponta como pecados capitais sedentos por confissão e redenção.
De qualquer modo para mim fica claro a maneira que o machismo se instala em nossa existência e veste a mascara de algo necessário à natureza humana, quando na verdade é um tipo de monstro construído afim de salientar ainda mais as relações de poder e opressão na sociedade. Alimentamos cotidianamente o machismo quando nos posicionamos como gays masculinizados, ativos impassíveis, passivos inativos, mulheres extremamente femininas e bem depiladas, homens peludos e parrudos. Todas as vezes que nos posicionarmos em nosso sexo  como um sujeito social (construído socialmente) e não um ser humano instintivo dado às sensações e ao desbunde estaremos reproduzindo opressões.

Oprimindo nós mesmos, nossos desejos, nossas potências, nossos prazeres. Fica entendido que a cada vez que levamos para nossa cópula todos os padrões sociais ( que reconhecemos como naturais), nos distanciamos da plenitude sexual da qual desfrutam os nossos cães por exemplo, pois que transam com o pai, a mãe e os filhotes, sem o menor remorso ou preocupação que envolva status ou virtude dentro e fora do ato, mas sim saciar a vontade incontrolável de gozar sua sexualidade em plenitude, apenas vivenciando experiências.
O que eu estou querendo dizer afinal? Quero dizer que nós temos o dever de travar uma batalha contra as forças que vem contrárias à natureza da nossa sexualidade, não bastando-nos a aceitar e reproduzir padrões que nos distanciam dos caminhos do prazer.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Mulheres, sexo e sociedade ( Uma relação patriarcal )


Gatas, o vídeo hoje vai abordar a sexualidade feminina na sociedade, só para expor que meu amor e minha atenção são pra vocês, e que eu odeio essa relação falocêntrica onde nos sentamos e esperamos pelo "semancol" dos caras. Precisamos abrir a xota para as possibilidades e aceitar que as mulheres tem que ser respeitadas assim como suas vontades e também sua sexualidade.









terça-feira, 22 de abril de 2014

Parafílicos ( prazer além da cópula)

Minha visão sobre coisas que para a maioria das pessoas seriam tratadas com desprezo, carrega sempre uma certa compaixão e empatia, pessoas parafílicas são pessoas que encontram seu prazer além do cópula, salvo casos extremos, não acho que devam ser castradas para se adequar à um sexo "saudável".

O termo clínico parafilia designa comportamentos sexuais que normalmente não estão relacionados a cópula, de maneira que pode levar ao coito na realização dessa conduta, ou as vezes é apenas um prazer psicológico, no texto anterior falei sobre Autoginecofilia, que é considerado hoje uma parafilia. A parafilia geralmente conota um comportamento sexual “anormal” como a podolatria , que apesar de ser por muitos considerado um fetiche, é considerada também uma prática parafilica, mas não enxergo de que maneira seria uma anormalidade, até por que adoro ter meu pé muito bem salivado durante a prática sexual, é um ponto do corpo que é extremamente sensível, e não existem motivos para não participar da brincadeira (rs).

Gente parafílica existe aos montes, se levarmos em consideração a maneira como o termo clínico é tratado, pois todos nós encontramos prazer sexual fora da cópula, seja por partes do corpo, objetos que tem uma conotação sexual para nós, a questão é que a parafilia é um termo que em sua cerne não é bem definido, é um conceito vago que muda de acordo com os valores sociais do seu tempo histórico.

Práticas sexuais das mais “comuns” hoje, já foram consideradas parafilias, como por exemplo a masturbação e o sexo anal, hoje ainda temos práticas que são consideradas parafilias e que na verdade são tão instintivas para mim, que realmente sei lá, mas claro que eu não sou nem um exemplo normativo sexualmente falando. Em um dizer muito vulgar, considera-se parafilia as práticas sexuais que “atrapalham” uma vida sexual “saudável” e “normal”, ou seja o coito pinto xoxota.


Vale lembrar que o conceito de parafilia só é realmente aplicado quando a particularidade sexual é exclusiva, não permitindo que outras maneiras de se ter prazer sexual sejam exercidas, no entanto a maioria dos "parafilícos" possuem muito mais que uma exclusiva (uffa!), sendo então consideradas sexualmente "normais", mas esse não deixa de ser o termo usado para conotar de uma maneira menos moralista o que antes foi considerado perversão sexual. 

Aqui fica uma Cine dica do filme mais parafílico que eu já vi, é baseado nas histórias do Marquês de Sade (que com certeza não via nada de errado em suas práticas), que além de ser adepto de diversas perversões na sua vida sexual, escreveu contos que as vezes penso serem autobiográficos.

Saló: Os 120 dias de Sodoma, ou escola da libertinagem de Pier Paolo Pasolini (1975), é quase que uma compilação das “melhores” histórias de Sade, conhecido como um dos filmes mais perturbadores (pelos coxas), pelas imagens fortes e pelo enredo rico em libertinagem.

Vale muito apena assistir, o link abaixo está completo e com legenda em português.




Bom Filme! ;)