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terça-feira, 22 de abril de 2014

Parafílicos ( prazer além da cópula)

Minha visão sobre coisas que para a maioria das pessoas seriam tratadas com desprezo, carrega sempre uma certa compaixão e empatia, pessoas parafílicas são pessoas que encontram seu prazer além do cópula, salvo casos extremos, não acho que devam ser castradas para se adequar à um sexo "saudável".

O termo clínico parafilia designa comportamentos sexuais que normalmente não estão relacionados a cópula, de maneira que pode levar ao coito na realização dessa conduta, ou as vezes é apenas um prazer psicológico, no texto anterior falei sobre Autoginecofilia, que é considerado hoje uma parafilia. A parafilia geralmente conota um comportamento sexual “anormal” como a podolatria , que apesar de ser por muitos considerado um fetiche, é considerada também uma prática parafilica, mas não enxergo de que maneira seria uma anormalidade, até por que adoro ter meu pé muito bem salivado durante a prática sexual, é um ponto do corpo que é extremamente sensível, e não existem motivos para não participar da brincadeira (rs).

Gente parafílica existe aos montes, se levarmos em consideração a maneira como o termo clínico é tratado, pois todos nós encontramos prazer sexual fora da cópula, seja por partes do corpo, objetos que tem uma conotação sexual para nós, a questão é que a parafilia é um termo que em sua cerne não é bem definido, é um conceito vago que muda de acordo com os valores sociais do seu tempo histórico.

Práticas sexuais das mais “comuns” hoje, já foram consideradas parafilias, como por exemplo a masturbação e o sexo anal, hoje ainda temos práticas que são consideradas parafilias e que na verdade são tão instintivas para mim, que realmente sei lá, mas claro que eu não sou nem um exemplo normativo sexualmente falando. Em um dizer muito vulgar, considera-se parafilia as práticas sexuais que “atrapalham” uma vida sexual “saudável” e “normal”, ou seja o coito pinto xoxota.


Vale lembrar que o conceito de parafilia só é realmente aplicado quando a particularidade sexual é exclusiva, não permitindo que outras maneiras de se ter prazer sexual sejam exercidas, no entanto a maioria dos "parafilícos" possuem muito mais que uma exclusiva (uffa!), sendo então consideradas sexualmente "normais", mas esse não deixa de ser o termo usado para conotar de uma maneira menos moralista o que antes foi considerado perversão sexual. 

Aqui fica uma Cine dica do filme mais parafílico que eu já vi, é baseado nas histórias do Marquês de Sade (que com certeza não via nada de errado em suas práticas), que além de ser adepto de diversas perversões na sua vida sexual, escreveu contos que as vezes penso serem autobiográficos.

Saló: Os 120 dias de Sodoma, ou escola da libertinagem de Pier Paolo Pasolini (1975), é quase que uma compilação das “melhores” histórias de Sade, conhecido como um dos filmes mais perturbadores (pelos coxas), pelas imagens fortes e pelo enredo rico em libertinagem.

Vale muito apena assistir, o link abaixo está completo e com legenda em português.




Bom Filme! ;)

Autoginecofilia (Vulgo homem lésbico)

Autoginecofilia, esse é talvez o assunto mais controverso para as Transex , de maneira que se trata de um termo clínico para designar a condição de um homem parafílico onde a fonte predominante de prazer é obtida no ato de ser uma mulher, para sentir-se dentro de uma (Oi?).  Os MTF Transexuais ( Male to Female) foram divididos em dois grupos principais por Blanchard, os transexuais homosexuais que segundo Blanchard buscam a readequação de sexual (de gênero) pelo desejo sexual por homens, o que para mim é realmente uma questão de gênero já que não consigo enxergar como uma parafilia, tendo em vista que uma mulher que deseja se libertar de uma prisão masculina, afim de poder ter o direito de ser quem nasceu para ser, não pode ter toda a sua filosofia de vida reduzida à um impulso sexual, diferentemente dos transexuais autoginecofílicos  que segundo Blanchard tem como objeto de desejo sua própria existência como mulher, esse sim procura vivenciar a sua condição como mulher em busca do prazer de estar dentro de uma mulher, a pira do cara é exatamente essa ser ele próprio a mulher.
Eu tenho um grande numero de procura de homens que sentem extremo prazer em serem tratados como uma, desconheço o nome clínico para essa condição, mas o fato é que a autoginecofília é o extremo desse “fetiche” , não gosto de tratar a transexualidade como como uma prática sexual “anormal” ,é assim que vejo o termo autoginecofilia, já que se trata de uma parafilia e hoje existe uma separação entre práticas sexuais “normais” e práticas parafilicas que são dadas como “anormais”.
Quando disse que as minhas colegas Transexuais se sentem constrangidas pelo termo autoginecofílicos, não é somente por enquadra-las  como pessoas parafílicas e fetichistas, mas sim pela sua conotação exclusivamente sexual, e ainda mais por dizer que essa prática é para suprir à instintos masculinos, retirando-as novamente de sua condição como mulher.
Sobre a transexualidade e o direito de ser realmente quem você é, vai um filme fabuloso, de estética magnífica. Lawrence Anyways romance do prodígio Xavier Dolan, conta a história de Lawrence um professor universitário de literatura, que rompe com os portões da prisão onde viveu, o seu corpo de homem, e tem que lidar com  os problemas que isso acarreta com sua namorada de 2 anos e que fica sempre em cima do muro no trato com a situação, não sabendo se ama Lawrence o suficiente para suportar as pressões da sociedade e de seu próprio ego e dogmas.

O filme se passa na década de 90, e conta com a trilha badaladíssima de The cure, Visage e Duran Duran, eu assisti repetidas vezes e cada vez ele me trás sentimentos diferentes, vale apostar.