Hoje eu quero me despedir, me despedir das parafilias, me despedir das misticas que envolvem nossa sexualidade, quero dizer adeus à normatização dos indivíduos. Vou dar um passo para além dos limites das recomendações médicas e disciplinares, espero que o discurso da psicanálise nunca mais chegue à ponta da minha língua, ou de meus dedos.
Vamos falar de sexualidade tal como ela é, viva, categoricamente pulsante, não existem formulas para exercê-la, em sua raiz existe ali a verdade latente sobre a nossa sexualidade, "é que ela é sem Deus" como comenta Foucault, não tendo assim limite para além de sua própria existência. A sexualidade é por si só um limite, ela é fissura que marca a cada um de nós como um limite.
Vamos aqui, então a partir de hoje falar da sexualidade tal como ela é, sem Deus, sem limites, ela mesma como a fissura que marca todos e cada um de nós como limite.
Eu poderia me limitar a explicar do que se trata a salirofilia, mas vou dar cabo à questão do motivo que leva essa prática à ser considerada doentia, escatológica, e repugnante. A salirofilia é a prática sexual que envolve a salivação ou o excesso de suor no parceiro, cuspir, lamber, esfregar-se no suor, é nisso que se baseia uma prática salirofilica. De fato qualquer prática sexual que envolva excreção, será considerada escatológica, porém eu não consigo pensar em sexo sem saliva e suor, sem sujeira e caos. O beijo, o oposto do escarro, é o romântico e em conflito com o visceral, de maneira que eles podem ( e talvez devam) se complementar . Pensem que o compartilhamento de saliva é sem problema algum executado durante os longos beijos dos corpos românticos, e por que não um escarro? Um intenso manifesto que fora do fator sexual representa a repulsa e o desdém, mas que dentro dele é o excesso do beijo, o mesmo digo do suor, que fora do sexo é sujeira, resultado fétido dos corpos que se movem, mas que no sexo é consequência esperada dos corpos que afogam seu desejo na partilha do prazer. Não consigo, mesmo que eu me esforce, entender o por que sentir prazer no suor e na saliva seria patológico ou excessivo. Não consigo mesmo saber como lamber, chupar e salivar o corpo do outro pode ser algo reprovável, nem tão pouco como se inclinar com desejo ao suor daquele corpo vivo em movimento, que deseja é desejado, corpos deliciosamente suados. Mesmo que o desejo pelo suor ou pelos escarros venham a se manifestar em público, não vejo tanta diferença assim entre o beijo e a baba, nem o cuspe escarrado. A única diferença é provocação, o estranhamento, da saliva escancarada e não empoçada entre as bocas, é a saliva livre que se desprende e alcança seu alvo de prazer, singular, informe, desfigurada. É nessa composição de estranhamento que o escarro gera desejo, é no suor que podemos sentir cheiro de sexo, a humidade do sexo, o musgo incolor que nos faz deslizar. À quem não interessar a salirofilia, fica o meu réquiem: Excesso é higienizar o seu prazer.
Voyeurismo é a pratica sexual onde se sente prazer em observar pessoas nuas intencionalmente, ao se vestir ou ao se despir, mas o babado é muito mais certo quando a galera está trepando, dizem que s´é voyeur quado quem é observado, não está sabendo disso (eu acho que não procede).
Geralmente o voyeur vem acompanhado de masturbação, a prática assim como a maioria das que eu já citei aqui no blog só é considerado paráfilia quando é a unica atividade sexual da pessoa em questão.
No geral o voyeur é uma prática bastante comum, a maioria das pessoas sentem prazer em assistir ao ato sexual de outras pessoas, não é atoa que a industria pornô fatura horrores, e os motéis tem espelho nas paredes e no teto, de fato eu também acho uma prática bastante excitante, já observei muito e confesso, é babado.
Me lembro de uma certa festa da qual participei, foi um mènage à quatre (dois meninos e duas meninas) <3. Na realidade era uma reunião de amigos, estávamos ao som do violão, uma super vibe, e eu já tinha bebido muito, eramos mais ou menos 11 pessoas na festa, não me recordo quando foi que apareci no quarto e começou o quatre, me lembro apenas de que os quatro bêbados em questão não lembraram de fechar a janela, o resultado foi a festa inteira no maior Voyeurismo enquanto os quatro bêbados arrasavam na cama (rysos). Os envolvidos vão me odiar ao ler isso.
Não preciso nem indicar um voyeur pra galera, aposto que todo mundo sabe muito bem o prazer que a prática pode dar.
O ato de sentir prazer sexual em encoxar ou ser encoxado ganha o nome de Frotteurismo ou frottage, e também é coisa de "parafílico".
A frottage não se relaciona apenas à pessoas, mas também a objetos variados, que lhe tragam prazer. Considerado uma parafilia o frottage sexual é a excitação através de fricção, que em caso de não consensualidade é como qualquer outro assédio considerado crime, mas sendo consensual, ou com aquele objeto sexual (rima) é sempre uma delícia. Não é necessário estar vestido, o ato de sentir o prazer sexual em sí, por se esfregar é o que qualifica a frottage.
Geralmente o pinto, xoxota e bunda são as partes mais gostosas de se esfregar por ai, inclusive umas nas outras, eu adoro isso! Como quase todas as outras práticas sexual das quais já me propus a falar.
Existem pessoas que só relacionam o frotteurismo à tarados nos transportes coletivos, cansei de ver reportagens e sites onde essa parafilia era tratada dessa maneira, porém eu estou aqui em defesa do ato de Frotteurizar livremente e consensualmente.
Ao contrário dessa análise tosca e sensacionalista sobre essa prática sexual, o fotteurismo é uma prática que pode proporcionar extremo prazer, como na adolescência naquele esquema de fode-não-fode, onde todo mundo fica esfregando piroquinha e xavasca até alguém gozar (saudades). Que garotinha nunca saiu esfregando-se em objetos aleatórios afim de...? Ou quem não gosta de dar aquela encoxada no companheiro? E mais, que delicia é um homem atrás da gente esfregando aquele membro pulsante e rijo né?
Conclusão, vamos esfregar, afinal é gratuito e faz muito bem!
Sabe aquela sua amiga gay, que não sabe sair pra
buatchê sem praticar um banhrõn com o promeiro boy da noite? Então sua amiga
pode ser “parafilica” (cachorra), o nome dessa prática é Cottaging, é o termo
que é usado para designar a parafilia para pessoas que sentem prazer em praticar
sexo anônimo locais públicos ( não necessariamente em público). Essa é uma prática
comum, não só para gays e lésbicas mas também heterossexuais.
O fato do Cottaging ser considerado uma parafilia
está ligado as questões morais (coxinhas da extrema direita, ou meia direita), porém é mais habitual
do que se pode pensar!
O que me leva à responsabilizar o moralismo, no fato
do cottaging ser considerado uma parafilia? É simples, não existe nada de
estranho em dar uma trepadinha rápida com alguém que você nunca viu na vida e no banheiro de uma festa, claro que haverão
os que sempre vão associar isso aos homossexuais, mas e aquela cachorra do
baile funk que você meteu a vara no meio da pixxxta no ultimo sábado? Pois é...
Voltando ao assunto, o cottaging é um termo criado
na Inglaterra, onde foram construídos banheiros públicos chamados de cottage, (pois
parecem cabanas) a galera então resolveu aproveitar aquele
espaço, não só para o "pipi hour", inclusive o sex symbol George Michael, não
contente em fazer um cotaggingzinho em
L.A, foi à Londres pra saber como é o negócio de perto (ele foi preso as duas
vezes).
Já escutei milhares de pessoas que encaram o cottaging como fetiche ou como prática cotidiana mesmo, então por favor, se você nunca passou por essa experiência rapidinha
num banherõn, faça o favor, tome aquele porre e arrase no banheirão ao som de George Michael!
Minha visão sobre coisas que para a maioria das pessoas seriam tratadas com desprezo, carrega sempre uma certa compaixão e empatia, pessoas parafílicas são pessoas que encontram seu prazer além do cópula, salvo casos extremos, não acho que devam ser castradas para se adequar à um sexo "saudável".
O termo clínico parafilia designa comportamentos
sexuais que normalmente não estão relacionados a cópula, de maneira que pode
levar ao coito na realização dessa conduta, ou as vezes é apenas um prazer
psicológico, no texto anterior falei sobre Autoginecofilia, que é considerado
hoje uma parafilia. A parafilia geralmente conota um comportamento sexual “anormal”
como a podolatria , que apesar de ser por muitos considerado um fetiche, é
considerada também uma prática parafilica, mas não enxergo de que maneira seria
uma anormalidade, até por que adoro ter meu pé muito bem salivado durante a
prática sexual, é um ponto do corpo que é extremamente sensível, e não existem
motivos para não participar da brincadeira (rs).
Gente parafílica existe aos montes, se levarmos em
consideração a maneira como o termo clínico é tratado, pois todos nós encontramos
prazer sexual fora da cópula, seja por partes do corpo, objetos que tem uma
conotação sexual para nós, a questão é que a parafilia é um termo que em sua
cerne não é bem definido, é um conceito vago que muda de acordo com os valores
sociais do seu tempo histórico.
Práticas sexuais das mais “comuns” hoje, já foram
consideradas parafilias, como por exemplo a masturbação e o sexo anal, hoje
ainda temos práticas que são consideradas parafilias e que na verdade são tão
instintivas para mim, que realmente sei lá, mas claro que eu não sou nem um
exemplo normativo sexualmente falando. Em um dizer muito vulgar, considera-se
parafilia as práticas sexuais que “atrapalham” uma vida sexual “saudável” e “normal”,
ou seja o coito pinto xoxota.
Vale lembrar que o conceito de parafilia só é realmente aplicado quando a particularidade sexual é exclusiva, não permitindo que outras maneiras de se ter prazer sexual sejam exercidas, no entanto a maioria dos "parafilícos" possuem muito mais que uma exclusiva (uffa!), sendo então consideradas sexualmente "normais", mas esse não deixa de ser o termo usado para conotar de uma maneira menos moralista o que antes foi considerado perversão sexual.
Aqui fica uma Cine dica do filme mais parafílico que
eu já vi, é baseado nas histórias do Marquês de Sade (que com certeza não via
nada de errado em suas práticas), que além de ser adepto de diversas perversões
na sua vida sexual, escreveu contos que as vezes penso serem autobiográficos.
Saló: Os 120 dias de Sodoma, ou escola da
libertinagem de Pier Paolo Pasolini (1975), é quase que uma compilação das “melhores”
histórias de Sade, conhecido como um dos filmes mais perturbadores (pelos
coxas), pelas imagens fortes e pelo enredo rico em libertinagem.
Vale muito apena assistir, o link abaixo está
completo e com legenda em português.
Autoginecofilia, esse é talvez o assunto mais
controverso para as Transex , de maneira que se trata de um termo clínico para
designar a condição de um homem parafílico onde a fonte predominante de prazer
é obtida no ato de ser uma mulher, para sentir-se dentro de uma (Oi?). Os MTF Transexuais ( Male to Female) foram divididos
em dois grupos principais por Blanchard, os transexuais homosexuais que segundo Blanchard buscam a readequação
de sexual (de gênero) pelo desejo sexual por homens, o que para mim é realmente
uma questão de gênero já que não consigo enxergar como uma parafilia, tendo em
vista que uma mulher que deseja se libertar de uma prisão masculina, afim de poder
ter o direito de ser quem nasceu para ser, não pode ter toda a sua filosofia de
vida reduzida à um impulso sexual, diferentemente dos transexuais autoginecofílicos que segundo Blanchard tem como objeto de
desejo sua própria existência como mulher, esse sim procura vivenciar a sua
condição como mulher em busca do prazer de estar dentro de uma mulher, a pira
do cara é exatamente essa ser ele próprio a mulher.
Eu tenho um grande numero de procura de homens que
sentem extremo prazer em serem tratados como uma, desconheço o nome clínico
para essa condição, mas o fato é que a autoginecofília é o extremo desse
“fetiche” , não gosto de tratar a transexualidade como como uma prática sexual
“anormal” ,é assim que vejo o termo autoginecofilia, já que se trata de uma
parafilia e hoje existe uma separação entre práticas sexuais “normais” e
práticas parafilicas que são dadas como “anormais”.
Quando disse que as minhas colegas Transexuais se
sentem constrangidas pelo termo autoginecofílicos, não é somente por enquadra-las
como pessoas parafílicas e fetichistas,
mas sim pela sua conotação exclusivamente sexual, e ainda mais por dizer que essa
prática é para suprir à instintos masculinos, retirando-as novamente de sua
condição como mulher.
Sobre a transexualidade e o direito de ser realmente
quem você é, vai um filme fabuloso, de estética magnífica. Lawrence Anyways
romance do prodígio Xavier Dolan, conta a história de Lawrence um professor
universitário de literatura, que rompe com os portões da prisão onde viveu, o seu
corpo de homem, e tem que lidar com os
problemas que isso acarreta com sua namorada de 2 anos e que fica sempre em
cima do muro no trato com a situação, não sabendo se ama Lawrence o suficiente
para suportar as pressões da sociedade e de seu próprio ego e dogmas.
O filme se passa na década de 90, e conta com a
trilha badaladíssima de The cure, Visage e Duran Duran, eu assisti repetidas
vezes e cada vez ele me trás sentimentos diferentes, vale apostar.